MUITO CALOR E POUCA CHUVA EM JANEIRO VÃO PESAR NA CONTA

O calor, que fez o consumo de energia aumentar, e o menor volume de chuva em janeiro vão fazer com que o consumidor pague mais pela energia. Diante desse cenário, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CSME) decidiu na última sexta-feira acionar térmicas mais caras para garantir o abastecimento de energia no país, o que deve representar aumento na conta de luz dos brasileiros. O governo também avalia a possibilidade de importação de energia da Argentina e do Uruguai como recurso adicional para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

De acordo com o comitê, que reúne autoridades do setor elétrico, as medidas são necessárias diante da queda dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e das previsões de poucas chuvas para os próximos dias. A combinação de altas temperaturas e poucas chuvas durante o mês passado levou o CMSE a aumentar a frequência de reuniões para ter uma avaliação mais próxima da situação das hidrelétricas.

No último sábado, foram acionadas termoelétricas com custos que chegam a até R$ 588,75 por megawatt-hora (MWh), valor superior ao previsto nos modelos computacionais usados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Isso significa que o governo decidiu substituir geração hidrelétrica, mais barata, pelas térmicas, mais caras. O custo adicional é cobrado do consumidor por meio das bandeiras tarifárias da conta de luz – em fevereiro, está vigorando a bandeira verde, que não tem custo adicional.

Demanda

Janeiro foi um mês de poucas chuvas sobre os reservatórios e alto consumo de energia devido às elevadas temperaturas. Segundo dados da Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE), o consumo nacional de energia cresceu 6,5% com relação ao mesmo período do ano anterior. A alta temperatura registrada em janeiro foi o principal motivo para o crescimento do consumo de energia, de acordo com a entidade.

No mês, o ONS detectou quatro recordes de consumo pontual, todos durante a tarde, quando as temperaturas são mais altas. O último foi às 15h50 do dia 30 de janeiro, quando o consumo bateu 90.525 MW.

Procurada pela reportagem, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que, em função da restrição hidrológica dos anos anteriores, as usinas chegaram com níveis bastante reduzidos ao início do período seco de 2018. Segundo a empresa, a condição atual apresenta um armazenamento melhor do que aquele verificado no mesmo período do ano passado para os reservatórios de Três Marias, Nova Ponte, Irapé e Emborcação, e inferior nos reservatórios de Camargos e Queimado. A Cemig informou que estão sendo esperadas chuvas para fevereiro, o que contribui para a redução das temperaturas e a melhoria na condição hídrica. Porém a política de suprimento energético deve ser avaliada com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). (Com agências)
 
Hidrelétricas têm queda no reservatório

Rio de Janeiro. O nível dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, consideradas a principal caixa dágua do setor elétrico brasileiro, caiu 1,3% em janeiro. No ano passado, com menos calor e mais chuvas, o indicador subiu 8,6% no mesmo período. Isso em um mês em que tradicionalmente os reservatórios tendem a ganhar volume neste período, represando água para garantir o abastecimento durante o chamado período seco, entre o outono e o inverno.

As hidrelétricas dessas regiões fecharam janeiro com 26,5% de sua capacidade de armazenamento de energia. O cenário já provoca alta no preço da energia negociada.

Na CCEE

Preços. O valor para clientes maiores nas regiões Sudeste e Centro-Oeste iniciou janeiro em R$ 140 e terminou em R$ 183,43 por megawatt-hora (MWh), alta de 31%, comportamento que não ocorria desde 2014.

Fonte: O Tempo